Resenha: As Pupilas do Senhor Reitor


Título: As Pupilas do Senhor Reitor.
Autor: Júlio Dinis.
Páginas: 310 páginas.
Editora: Martin Claret.

“Júlio Dinis é um dos grandes escritores do Romantismo português. Foi um rousseauniano maravilhado pela vida das aldeias de sua terra natal. Seu estilo simples e direto está voltado para a natureza e para a naturalidade.
As Pupilas do Senhor Reitor (1866) foi inicialmente publicado no Jornal do Porto. Ocupa um lugar de destaque na bibliografia de Júlio Dinis.
O romance narra a história de duas irmãs – Clara e Margarida – filhas do mesmo pai em casamentos diferentes, dotadas de personalidades opostas. A primeira, expansiva e alegre, sempre feliz de si própria. A segunda, fechada, numa reserva natural, centrada de idílicas reminiscências infantis.
A obra registra o modo de vida dos habitantes das pequenas aldeias de Portugal.”




                                       Minha opinião:                                   

Logo que comecei a ler As Pupilas do Senhor Reitor identifiquei um protagonista, mas enganei totalmente, pois ao longo da narrativa descobri que tal personagem era, sim, importante, entretanto surgiu ao longo do livro a brilhante Margarida, que a meu ver é a protagonista. Sou suspeita para falar sobre ela, visto que me vi descrita em inúmeros pedaços do livro. Sua melancolia, sua inteligência, sua bondade, mas acima de tudo sua lealdade me conquistaram logo nos primeiros capítulos (o que eu adoro).

Clara, irmã de Margarida, também é muito bondosa, mas não gostei muito dela, às vezes chego a pensar que era por causa de sua alegria excessiva, isso fez com que eu a visse como uma pessoa tola, o que ela não é, até o fim do livro eu pude perceber que ela não é tola, mas isso ficou na minha cabeça.

“Abre-lhes ela as portas de um mundo imaginário, para onde se refugiam dos embates do mundo real, que impressionam dolorosamente a sua delicada sensibilidade.”
p. 70 (As Pupilas do Senhor Reitor)

Durante a leitura eu ficava furiosa, alegre, triste e, às vezes, tinha vontade de entrar na narrativa e fazer alguma coisa. Júlio Dinis nos envolve na vida simples de uma pacata aldeia de Portugal. As fofoqueiras na janela, as jovens à caçada por um bom partido, entre outros elementos típicos das aldeias.

Foi um livro que me ganhou do começo ao fim. A narrativa simplesmente flui e quando você percebe já terminou a leitura. Ao chegar na última página, fiquei muito triste, a estória havia acabado e eu queria continuar perto da Margarida e da Clara. Estava “viciada”, não conseguia larga-lo de jeito nenhum. Em alguns capítulos eu ficava ansiosa para saber o que aconteceria e lia o próximo, mas quando este acabava eu ficava ainda mais ansiosa para ler o outro, num ciclo sem fim.

O personagem Daniel me irritou profundamente ao longo do livro, mas ao final seu arrependimento conseguiram tocar-me e subir no meu conceito. O Senhor Reitor é uma pessoa à parte, dócil e afetuoso, ele é como um pai para suas pupilas.

Minha impressão de As Pupilas do Senhor Reitor é uma das melhores possíveis. Esperava uma estória mais lenta e monótona, mas (ainda bem) me enganei sobre este fato. Recomendo muito a leitura e espero que gostem do livro!

“São tão vagas, tão difíceis de apreender as ideias, que evoca em nós a lembrança de uma pessoa querida!”

p.91 (As Pupilas do Senhor Reitor)

Beijos,
Amanda ;)


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