20 de outubro de 2013

Resenha: Senhora

Título: Senhora: Perfil de Mulher       
Autor: José de Alencar
Páginas: 271 páginas
Editora: Editora Saraiva

“Criador de uma literatura nacional preocupada com a formação da identidade brasileira, José de Alencar propôs-se a fazer um painel da nossa sociedade em todas as suas facetas. Senhora é considerado o mais bem-sucedido romance urbano desse autor e traz à tona críticas aos principais problemas sociais do século XIX.”








                                       Minha opinião:                                   

Este livro me tocou tanto que não sei ao menos como fazer uma resenha que esteja à altura dele. Comecei a lê-lo há dois anos, mas, infelizmente, não me senti preparada para lidar com o tema e parei de ler. Este ano, enquanto organizava minha estante, o encontrei e resolvi resgatá-lo. Agradeço por ter decidido esperado, o livro não seria tão apreciado se eu tivesse lido na primeira tentativa.

A história de Aurélia e Seixas é envolvida em casamentos por interesse, preconceito, diferenças nas classes sócias, ciúmes, desconfianças. A narrativa possui tempo misto, oscilando em tempo cronológico e psicológico, os livros com este tempo são muito apreciados por mim, a primeira parte é contatada no presente, seguida de um “flashback” da personagem. Acho que enriquece muito mais a história quando o livro é narrado desta forma, deixa o leitor curioso e preso a narrativa.

“Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela.
Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões.”
Página 11 (Senhora)

Aurélia tornou-se para mim um exemplo. Dona de uma personalidade forte, ela é uma personagem singular e uma das minhas favoritas. Sua história de vida é muito sofrida, tomei suas dores e sentia-me revoltada com a venda da sociedade. Quando soube que ela realmente existiu, que a Dama dos Salões não foi apenas uma criação do brilhante José de Alencar, que houve uma mulher que passou por todas as dificuldades narradas no livro, que enfrentou a sociedade, que mostrou-se tão corajosa, fiquei tão animada que não soube como reagir, pois Aurélia é uma personagem que marca, mas saber que houve alguém como ela é algo inacreditável. Me aproximei muito da personagem durante a leitura.

Seixas tem seu caráter frívolo muitíssimo bem moldado ao longo da narrativa, sua obsessão por dinheiro, poder, riquezas e luxo, o tornaram um dos personagens mais frios que já vi. O autor o retratou com tanta maestria que ficava com raiva ao ler o nome dele. Confesso, que só comecei a vê-lo com outros olhos no final do livro, quando ele começa a mudar, mas até então eu não o suportava.

A narrativa é em terceira pessoa, focalizada em Aurélia. Os detalhes são muito bem enlaçados, sem que haja “buracos” na história. José de Alencar molda seus personagens com capricho, tornando-os únicos. Aurélia, Seixas, Lemos, cada um com sua personalidade distinta, bem retratada ao longo do livro.

“- Está tão retirado! Também cultiva as estrelas?
- Quais? As do céu?
- Pois há outras?
- Nunca lho disseram?
- Talvez alguém se lembrasse disso; mas ainda não achei quem me fizesse acreditar – respondeu a moça com um sorriso.”
Página 61 (Senhora)

O livro possui uma riqueza de detalhes que me transportaram para o final do século XIX, os personagens têm suas personalidades tão bem construídas que tornam-se familiares. Ao som de seus nomes, sua reação é imediata. Talvez por ter sido uma leitura que não funcionou à princípio, mas que depois tomou proporções imensas na minha vida literária, eu tenha amado tanto este clássico da literatura brasileira, pois só um livro tão bom é capaz de atravessar dois séculos.

Beijos,
Amanda



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