Resenha: Cem Anos de Solidão



Título: Cem Anos de Solidão
Autor: Gabriel García Márquez
Páginas: 447 páginas
Editora: Galera Record
Em Cem anos de solidão, Gabriel Garcia Márquez narra a incrível e triste história dos Buendía - a estirpe dos solitários para a qual não será dada uma segunda oportunidade sobre a terra. O livro também pode ser entendido como uma autêntica enciclopédia do imaginário.








Minha Opinião: 


Após inúmeros comentários positivos sobre o autor e suas obras, percebi que precisava conhecer Gabriel García Márquez, ou, o Gabo. Cem Anos de Solidão foi uma dada surpresa, um livro de escrita peculiar, uma estória ímpar e personagens tão reais quanto imaginários.

O livro começa narrando-nos a estória dos Buendía, mais especificamente de Úrsula e José Arcádio Buendía, que além de casados são também primos, e seus dois filhos, José Arcádio e Aureliano. Após se casarem, Úrsula e José Arcádio Buendía são "obrigados" a se mudarem do povoado onde moravam por alguns acontecimentos. Assim, eles abrem caminho pelas florestas, ao longo do caminho algumas família se juntam a eles e, ao encontrarem um rio se estabelecem em sua margem, formando o povoado de Macondo. Porém, Macondo logo passa a receber a visita de um grupo de ciganos, que trazem as novidades do mundo moderno (lupas, lunetas, objetos de ourivesaria, bugigangas, etc). Entre estes ciganos há Melquíades, um cigano muito sábio que entra na vida dos Buendía e desperta em José Arcádio Buendía a sede pelo conhecimento, fazendo começar a pesquisar os aspectos mais simples na química, física, alquimia e na ciência. É a partir da chegada destes ciganos, que o leitor é levado a acompanhar os próximos cem anos desta família.

Seria impossível falar de Gabriel García Márquez e não citar sua escrita, de mesmo modo que é quase redundante. Nunca li nada parecido, sua escrita é completamente ímpar, seu jeito de narrar os acontecimentos é rústica e áspera, porém direta e bastante profunda em relação aos sentimentos.

"- E o que você esperava? - suspirou Úrsula. - O tempo passa.
- Pois é - admitiu Aureliano -, mas não tanto."
Página 164 (Cem Anos de Solidão)

Os personagens são muitos e dos mais variados, porém, mesmo aquele com a participação mais simplória não passará despercebido pelo leitor. Tive receio de não me lembrar de todos os personagens, principalmente os masculinos (que de modo geral recebem sempre o nome de Aureliano ou José Arcádio), entretanto, García molda sua estória numa espécie de "teia", pois de qualquer personagem que o leitor parta, este poderá voltar à primeira geração da família, Úrsula e José Arcádio Buendía.

O modo como me envolvi com a estória e os personagens foi bem diferente do que eu eu imaginei. Úrsula ganhou todo o meu respeito, uma mulher forte e batalhadora que vamos acompanhar por muito tempo no livro, ela é realmente admirável e a cada página tornava-se mais.

"... a história da família era uma engrenagem de repetições irreparáveis, uma roda giratória que teria continuado dando voltas até a eternidade, se não fosse o desgaste progressivo e irremediável do eixo."
Página 428 (Cem Anos de Solidão)

Um ponto a se ressaltar também é que a estória dos Buendía é contada praticamente que inteira em Macondo, mesmo que outros membros da família estejam em outros lugares do mundo, a ênfase do autor é para os Buendía em Macondo. Além disso, o pequeno povoado é um lugar tão comum quanto extraordinário, do mesmo modo que há acontecimentos rotineiros e até banais, temos ocorrências quase que surreais, além de todo o exagero do autor para com aspectos dos personagens e fatos (mortes com muito sangue, pessoas muito belas, traições em evidência exagerada).

A única ressalva que faço é que encontrei erros na edição, alguns muito grotescos, que me fizeram perder um pouco a confiança, pois além de ser um dos mais famosos livros de um dos maiores escritores latinos, esta também é uma obra que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura e acredito que merecia uma edição melhor revisada.

Fora a ressalva anterior, não tenho palavras para descrever a grandeza deste livro. Uma obra completa em todos os sentidos e que nos transmite mais do que imaginamos. É impossível não se afeiçoar a alguém desta estirpe de solitários.

Beijos,
Amanda

6 comentários:

  1. A dona deste blog está realmente de Parabéns..nunca encontrei um site tão bom quanto esse!

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    1. Obrigada, Bia. Fico imensamente feliz que tenha gostado! :D Seja muito bem vinda
      Beijo

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  2. nossa, cara, você escreve muito bem!
    tô lendo esse livro. quando peguei ele nas mãos, achei que não fosse gostar, mas tô apaixonada.
    quando a gente pensa que tudo vai ficar bem, acontece alguma tragédia, né? isso que dá movimento à história.
    não vejo a hora de terminar e ver o que acontece.

    www.pe-dri-nha.blogspot.com

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    1. Nossa! Muito obrigada Manie :)
      Que legal que você está lendo o livro. Concordo com você, há inúmeras reviravoltas durante a leitura, e elas sempre nos pegam desprevenidos rsrsrs
      Fico feliz que esteja gostando!
      O final é ainda melhor.
      Beijos

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  3. Livro mais que foda!!! Excelente Livro!! posso afirmar sem hesitação: o melhor que eu já li,e acho difícil outro tomar o seu pódio. Realmente uma historia difícil de descrever pela sua complexidade, seu poder de arrebatar o leitor fora da sua realidade, do poder de identificação, que eu digo; é inevitável não se identificar com pelo menos um dos personagens, seja pela sua historia, sua personalidade seus sonhos, seus medos, seus infortúnios, suas divagações, desejos etc... Sob diversos aspectos o livro é uma obra prima universal: o modo como o escritor cria a obra, a leitura é vertiginosa, a toda hora, a todo paragrafo, o leitor é bombardeado de acontecimentos, informações, que não são necessariamente cronológicas, as vezes nos deparamos com o escritor já prevendo algo que aconteceria com determinado personagem, e realmente nos capítulos seguintes, conseguimos entender essa maestria de contar pormenores com antecedência, algo (assim como toda a obra) proposital, tal como a repetição parcial e mencionada ou até inversa dos nomes, o que realmente, traz uma certa dificuldade para distinguir e identificar cada personagem, mas até isso traduz uma magia,e tempera ainda mais o sabor dessa leitura, fazendo nos ``dedicar`` ainda mais a obra, eu pelo menos, consultei inúmeras vezes a arvore genealógica impressa na segunda pagina do meu livro quando uma duvida de filiação me acometia, mas diferente de outras pessoas que leram o livro ainda com a confusão de nomes permeando a leitura, eu recomendo, assim como fiz, consultar e distinguir conscientemente os nomes, porque embora os nomes sejam parcialmente parecidos, cada personagem tem seu brilho, sua historia, seu carisma próprio, e é claro a repetição proposital dos nomes, creio eu que, nos mostra como cada nome tem sua susceptibilidade única à acontecimentos e situações que lhe são exclusivas e é claro aos que também herdaram, o que nao sei o motivo, aumenta mais o grau de identificação.
    Confesso que no inicio da leitura, achei um saco, até porque não estava familiarizado com o tal realismo-magico, onde temos logicamente situações verossímeis, permeadas e temperadas com coisas/episódios míticos, como nascer um guri de rabo de porco,uma menina que comia terra e cal (rsrs), uma guria linda ascender aos céus como um anjo, fantasmas que mantem vínculos práticos e afetivos com os humanos, ciganos que traziam para a aldeia tapetes voadores, e métodos infalíveis de transformar metal em ouro, sem falar na tal repetição ``enfadonha`` dos nomes, enfim... achei bem estranho, e chato, confesso; mas depois de 1/3 do livro eu me cativei, apaixonei por ele, porque foi aí que compreendi a proposta do autor, e entendi como tudo aquilo fora necessário para provocar o efeito de nostalgia, identificação, atordoamento que lhe é próprio, então a partir daí fui me envolvendo afetivamente com os personagens, com a magia de MACONDO com as paixões que me emocionava a ponto de verter lagrimas de meus olhos de tao intenso que fora determinada parte: “Aprenderam que as obsessões dominantes prevalecem sobre a morte e tornaram a ser felizes com a certeza de que eles continuariam a se amar com as suas naturezas de fantasmas, muito depois de que as outras espécies de animais futuros arrebatassem dos insetos o paraíso de miséria que os insetos estavam acabando de arrebatar dos homens.”
    Ou seja, realmente é complexo explicar, descrever, conotar, denotar, associar essa obra, mas agora entendo porque é tao magico, único, amado, idolatrado, pela sua capacidade subjetiva de vincular-se às pessoas através laços que só elas mesmas serão capazes de exprimir, enfim estou tentando dizer qual é o meu, mas me é vetado por razoes desconhecidas, não sei se é inabilidade ou apenas um pacto secreto entre eu e Cem anos de solidão.

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    1. Uau! Que bom que você gostou tanto assim! Mas esse livro é excelente, mesmo. Ele é muito diferente de tudo que já li. Pode ser estranho no começo, até que o leitor se acostume ao ambiente e à narrativa, mas depois você mergulha no universo de Cem Anos de Solidão. Não vejo a hora de reler. Recomendo para todo mundo :D

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