Resenha: Dom Casmurro

Título: Dom Casmurro
Autor: Machado de Assis
Páginas: 209 páginas
Editora: Martin Claret
Publicado pela primeira vez em 1900, Dom Casmurro é o romance mais famoso e polêmico de Machado de Assis. Ambientado no Rio de Janeiro do século XIX, é narrado por seu protagonista: Dom Casmurro, um velho solitário e frustrado que, em virtude de sua "simpatia", recebe esse apelido de um conhecido. O personagem busca, por meio da narrativa, rememorar e compreender fatos do seu passado, principalmente os que envolvem uma mulher: Capitu, a personagem mais intrigante e misteriosa da literatura brasileira. A polêmica toda se centraliza em uma dúvida: Capitu é ou não culpada de adultério? Os fatos até podem indicar que sim, mas o leitor não pode deixar de atentar para um fato: Bento Santiago - o Dom Casmurro -, além de narrador, é advogado. Não teria ele todos os atributos intelectuais para envenenar a narrativa, de modo a levar o leitor a condenar Capitu? Obra lida no mundo todo, por sua genialidade, não pode deixar de ser deliciada pelo leitor brasileiro.


Minha Opinião: 

Se havia um autor ao qual a palavra receio cabia perfeitamente em minha relação com suas obras, este autora era Machado de Assis. Por que estou usando os verbos no pretérito imperfeito? Porque algumas coisas mudaram após a leitura de Dom Casmurro.

Esse livro vai narrar a estória de Bento Santiago, o Bentinho, um garoto que carrega consigo a promessa da mãe, feita antes do nascimento do menino, de que ele virá a ser padre. Bentinho, porém, nutre uma amor por sua vizinha, Capitu, e abomina a ideia de ingressar no seminário.

Com o passar do tempo, a mãe de Bentinho acaba voltando atrás na promessa e ele se casa com Capitu. Teremos a narração de seu casamento e sua futura desconfiança da esposa e de seu melhor amigo, Escobar, com quem, Bentinho acredita que mulher tenha um caso.

Numa narrativa ambígua, Machado vai envolvendo o leitor numa teia de acontecimentos, de modo que não se sabe qual partido tomar, Capitu ou Bentinho?

Sua genialidade se mostra na narração em primeira pessoa. Visto que uma narração em terceira mostraria claramente a verdade. Porém ao escolher a primeira pessoa, Machado nos dá a versão dos fatos apenas pelos olhos de Bentinho, o que impede conclusões perfeitas acerca dos fatos.

Teria Bentinho, um advogado, utilizado de seus conhecimentos para compor o livro e convencer o leitor da culpa de Capitu? Ele não seria apenas doentiamente ciumento e tudo não passou de uma louca perseguição a sua mulher e filho? Ou Capitu realmente o traiu, visto que desde pequena tinha um caráter frívolo e manipulador? Não há meios de se ter certeza.

Quanto aos personagens, posso dizer que não gostei muito de Bento Santiago, porém se encaixou em todos os "possíveis" papéis que lhe eram cabíveis. Já Capitu, acredito que foi uma das mais diferentes e ambíguas personagens com a qual me deparei.

Os demais personagens compõem uma crítica árdua e refinada do autor ao meio social da época. Machado carrega sua obra de críticas e é observador e sagaz em seus exemplos.

Não posso esquecer de dizer que o meio receio em relação ao autor foi quebrado por este livro. O autor me ganhou com sua escrita e pensamento, porém de tudo o que ele escreveu prefiro-lhe os contos. Acredito que esta é realmente uma obra imortal e agora compreendo seu tamanho valor na história da literatura brasileira.

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