Resenha: O Irmão Alemão

Título: O Irmão Alemão
Autor: Chico Buarque
Páginas: 240 páginas
Editora: Companhia das Letras
A narrativa se estrutura numa constante tensão entre o que de fato aconteceu, o que poderia ter sido e a mais pura imaginação. Na São Paulo dos anos 1960, o adolescente Francisco de Hollander, ou Ciccio, encontra uma carta em alemão dentro de um volume na vasta biblioteca paterna, a segunda maior da cidade. Em meio a porres, roubos recreativos de carros e jornadas nem sempre lícitas a livros empoeirados, surgem pistas que detonam uma missão de vida inteira. Ao tentar traçar o destino de seu irmão alemão, parece também estar em jogo para o narrador ganhar o respeito do pai, que, apesar dos arroubos intelectuais de Ciccio, tem mais afinidade com Domingos, ou Mimmo, seu outro filho, galanteador contumaz, leitor da Playboy e da Luluzinha, e sempre a par das novas sobre Brigitte Bardot. A despeito das tentativas de mediação da mãe, Assunta - italiana doce e enérgica, justa e com todos compreensiva -, a relação dos irmãos é quase feita só de silêncio, competição e ressentimento. Num decurso temporal que chega à Berlim dos dias presentes, e que tem no horror da ditadura militar brasileira e nos ecos do Holocausto seus centros de força, O irmão alemão conduz o leitor por caminhos vertiginosos através dessa busca pela verdade e pelos afetos.


Minha Opinião: 

Quando comecei a ler O Irmão Alemão, não fazia ideia do que esperar. Não li sinopse alguma, ou resumo, ou resenha, nada, apenas apanhei o livro, abri e comecei a leitura. Sem saber o que esperar, eu não tinha como medir minhas expectativas em relação à leitura. Também nunca havia lido nenhum livro do autor, Chico Buarque.

O livro é narrado em primeira pessoa por Franscico, ou Ciccio , encontrando uma carta dentro de um livro de seu pai, na qual uma mulher relata a existência de um filho de seu pai, fora do casamento, na Alemanha. É por meio desta carta que ele começa a tentar encontrar o paradeiro deste irmão.

A primeira coisa que posso ressaltar é que é realmente um livro de buscas. Não apenas a busca por um irmão, mas a busca por si mesmo, e, mais importante, a busca pelo carinho e admiração do pai. Ciccio sente-se rejeitado pelo pai e é perceptível que ele quer ganhar o respeito deste, e toma esta busca por um irmão como meio para consegui-lo.

"[...] tenho um irmão alemão, isso mesmo, um irmão alemão."
Página 29 (O Irmão Alemão)

O livro se passa durante a Ditadura Militar e, para mim, a ambientação do livro foi bastante realista, soube inserir pontos deste momento histórico sem parecer forçado.

A escrita posso dizer que é ótima, bastante leve e rápida. O dinamismo do autor se contrapõem aos momentos mais monótonos da própria história.

"Em contrapartida, poderei ganhar sua atenção, seu crédito, seu mais íntimo reconhecimento, caso tenha êxito no rastreio de um menino de identidade incerta, porventura sobrevivente aos anos de terror, numa cidade bombardeada e partida ao meio. Pais ainda que meu pai aprenda todas as línguas e devore todas as bibliotecas, talvez seja incapaz de concluir a grande obra de sua vida enquanto não suprir essa pequena ignorância dentro dele."
Página 117 (O Irmão Alemão)

Devo ressaltar porém, que senti falta de algo a mais no livro. Após a metade, há momentos que ele se tornou um mais maçante, por conta do conteúdo e não da escrita (vale lembrar), o que fez com que a leitura fluísse mais devagar nestes pontos.

É um bom livro. Bastante realista e foge um pouco do clichê que vem se alastrando pelo universo literário. Recomendo sua leitura.


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