Era uma vez uma Branca de Neve?


Era uma vez? é o nome da coluna na qual os contos de fadas são abordados em sua maneira original. Quer saber o que realmente aconteceu antes do 'Foram Felizes para Sempre'? Então, vem conferir esta coluna!


Era uma vez uma tal de Branca de Neve, você provavelmente já ouviu falar dela, não só porque é a mais velha princesa de um tal Walt Disney (cof cof), como também porque este é um típico conto de fadas presente em todas as coleções infantis. Então, é muito provável que essa moça tenha feito parte da sua infância. A verdade é que sempre desconfiei dessa história da maçã envenenada, o que me levou a questionar origem desse conto.

Antes de mais nada, ele foi copilado pelos irmãos Grimm, os quais você também já deve ter ouvido falar. E por que copilados e não criados? Bem, esses alemães não criaram nenhuma história que nós conhecemos como suas. Não se desespere! Eles viviam na época da unificação dos feudos em reino, o que aconteceu tardiamente na Alemanha.

Esse novo reino precisava de uma herança cultural; e foi assim que surgiram os primeiros contos de fadas. Os dois irmãos se esforçaram em recolher os contos e histórias populares e uni-los num livro. Na verdade, eles copilaram os contos em dois volumes e lançaram os livros Contos da Infância e do Lar. E isso se espalhou. Ao longo do tempo esses contos foram mudando, assim chegou-se a 1825 com uma edição bem mais compacta, com apenas 50 contos, e mais voltadas ao público infantil para o caráter educativo.

E foram esses dois que encontraram a nossa princesinha e contaram a história dela para o mundo. Mas afinal, foi exatamente assim, do jeito que nós conhecemos, que aconteceu? Vamos descobrir!


Havia uma rainha, que ao costurar, certa vez, acabou se ferindo com a agulha. Quando o sangue da rainha caiu na neve, ela gostou daquela combinação, neve branca e sangue vermelho (sim, ela era uma mulher bastante excêntrica) e decidiu que queria ter um bebê branco como a neve, vermelho como sangue e preto como ébano (que era a cor da janela na qual ela estava).

Até aqui nada de anormal, tirando o fato do estranho gosto da rainha para cores. Ela realmente teve um bebê, uma menina, tal qual queria, mas morreu assim que a criança nasceu. Branca de Neve foi o nome dado ao bebê. Surge aí a nossa protagonista!

Branca de Neve era linda, o conto deixa isso bem claro. E o rei logo se casou novamente, e sua nova esposa não foi muito com cara da Branca de Neve. Ela, assim que viu a enteada, sabia que menina seria mais linda ainda quando crescesse. Sim, ela vai ser apelidada por nós de Rainha Má, nos dias de hoje. Mas essa mulher não veio sozinha. Não! Ela tinha um espelho. O famoso espelho da Rainha Má. E ela sempre perguntava para esse espelho quem era a mais bela, até o dia em que o espelho respondeu que a mais bela de todas era Branca de Neve. A Rainha ficou muito brava e quis dar um fim na nossa princesinha.

Lembram-se do caçador? Sim, ele apareceu aqui também, mas talvez vocês fiquem surpresos com algumas coisas. Bem, a Rainha chamou o caçador e o mandou matar Branca de Neve na floresta. O caçador se apiedou dela e a deixou fugir, porque tinha certeza de que ela seria devorada pelas feras na floresta. Ele então matou um animal para levar para Rainha para provar seu feito. Mas não foi um pássaro que ele matou, como tinham me contado, ele matou um javali. Sim, um javali! E levou, não o coração, como eu acreditava, mas o pulmão e o fígado para a Rainha. E o que a Rainha fez? Ela, para minha surpresa, comeu o pulmão e o fígado crente de que eram da enteada.

Depois desse momento de iguarias, ficamos sabendo que a Branca de Neve já está sã e salva na casa dos anões, que são sete mesmo, mas não há menção aos nomes serem motivados pelo humor deles.

A Rainha, depois de sua "maravilhosa" refeição, pergunta ao espelho quem é a mais bela. O espelho não mente e diz que ainda é Branca de Neve e que ela está vivendo na floresta com os anões. A Rainha resolve que vai dar um fim ela mesma na enteada e se pinta (sim, se pinta) de velha e sai por aí vendendo coisas.

Ao chegar na casa dos anões, ela oferece um cadarço para amarrar o corpete para Branca de Neve, que logo aceita. A Rainha, disfarçada de velha, prende o cadarço e puxa com tanta força que Branca de Neve cai no chão sem poder respirar. A Rainha vai embora satisfeita. Quando os anões chegam e veem Branca de Neve caída, percebem o cadarço e afrouxam, e ela volta a respirar. Está ótima, nova em folha!

A Rainha pergunta ao espelho novamente e recebe a mesma resposta. Ela volta a se fantasiar de velha e envenena um pente para usar contra Branca de Neve. Quando o oferece a Branca de Neve, esta aceita, mesmo que os anões a tenham alertado quanto a velha. A Rainha penteia os cabelos de Branca de Neve e ela cai novamente no chão. Quando os anões chegam, desfazem os nós no cabelo dela e ela volta a vida. Sim, de novo!

No palácio, a Rainha está brava de novo, porque a menina ainda não morreu. E lá vamos nós novamente tentar matar a Branca de Neve! Ela envenena uma maçã (a famosa maçã) e vai dá-la a Branca de Neve. Mesmo depois de tudo o que já aconteceu, a nossa protagonista aceita de novo o presente da velha. A Rainha come a parte que não está envenenada, para provar que não há perigo, mas Branca de Neve come a parte com o veneno e cai (de novo) no chão.

Quando os anões voltam, não sabem o que fazer, o cadarço está frouxo, o cabelo está arrumado. Eles compreendem que ela realmente morreu, mas se recusam a enterrá-la naquela terra imunda. Os anões, então, a colocam num caixão de vidro e deixam numa montanha.

Pois é, ela foi três vezes assassinada e agora não se decompõe no caixão de vidro. Essa história está bem diferente do que eu lembrava, mas ainda tem mais! Espera para ver.

Um príncipe (eternamente sem nome) estava passando pela floresta e se apaixonou pela desconhecida defunta no caixão de vidro e quer trocá-la com os anões (repito: trocá-la). Os anões resistem um pouco, mas acabam cedendo. O príncipe manda seus criados levarem o caixão, mas no caminho eles tropeçam e com o solavanco, Branca de Neve cospe o pedaço da maçã que ela havia comido e desengasga! Mágico e romântico, não é mesmo?

O príncipe se casa com a Branca de Neve, mas logo a Rainha fica sabendo que a nova rainha é mais bela do que ela. Como fora convidada para o casamento, a Rainha Má comparece ao evento. E agora, não se deixe enganar pelo rostinho angelical, Branca de Neve lhe dá sapatos de ferro e faz a madrasta dançar até a morte em brasas quentes. É uma moça de muito carisma e bastante criativa posso dizer. Depois de ser quase sonsa o conto inteiro, tomou uma atitude drástica no último parágrafo.

Sou obrigada a confessar que fiquei chocada com algumas coisas. Eu sempre achei que a Rainha Má morresse, mas não pelas mãozinhas da Branca de Neve. Essa tripla morte também me surpreendeu (essa mulher é quase imortal, minha gente!). Mas acredito que o que mais me surpreendeu foi o banquete da Rainha. Ela realmente queria comer o fígado e os pulmões da enteada.


E essa é a história da Branca de Neve. Espero não ter destruído a infância de ninguém!
Acho que, como de costume, a melhor finalização é







OBS: Para compor este e outros posts da coluna Era Uma Vez? me baseei no livro Contos de Fadas, da editora Zahar, além de pesquisas na internet.

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