Resenha: 1984

Título: 1984
Autor: George Orwell
Páginas: 414 páginas
Editora: Companhia das Letras
Winston, herói de 1984, último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O’Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que 'só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade - só o poder pelo poder, poder puro.'



Minha opinião:



Uma das mais famosas distopias clássicas, que apesar de ter sido escrita na década de 40 é capaz de amedrontar seus leitores, por ser tão realista e tão atual.

O livro narra a história de Winston, um dos habitantes de uma Londres futurista, dominada por um governo centralizador e totalitário, concentrado na figura do Grande Irmão (Big Brother). Winston é uma das raras pessoas sobre quem o Partido não tem o domínio mental. Numa luta interna e num anseio por liberdade e verdade, ele acaba se envolvendo num caso amoroso com uma colega de trabalho, Júlia, e com algumas organizações secretas.

"A história não passava de um palimpsesto, raspado e reescrito tantas vezes quantas fosse necessário."
Página 54 (1984)

Se pudesse descrever este livro em uma palavra, ela seria: incômodo. Este livro incomoda do começo ao fim, mas acho que esse foi um dos motivos para eu ter gostado tanto dele. As descrições do autor, as cenas de violência, as mentiras, a manipulação que as pessoas sofrem, tudo leva o leitor a um asco sem limites, mas ao mesmo tempo por uma sede da verdade e da continuidade da história naquelas páginas.

Os personagens são difíceis de descrever, ou são tão mentalmente controlados ao ponto de serem estupidamente cegos, ou são seres de múltiplas facetas, para que o Partido não as encontre. Além disso, a vigilância em tempo integral feita pelas Teletelas, que não podem ser desligadas e observam dentro da casa das pessoas, é apavorante e constrangedor.

"Nesse jogo que estamos jogando, não temos como vencer. Alguns tipos de fracasso são melhores do que outros. Só isso."
Página 163 (1984)

Precisei parar a leitura em alguns pontos por serem bastante difíceis de se ler com tranquilidade, por seus acontecimentos tão trágicos. A finalização do livro nos deixa um vazio e uma grande dúvida na mente acerca do mundo. Começamos a questionar muitas das coisas a nossa volta e em nós mesmo. Percebemos o controle que exercem sobre muitos de nós e como Orwell previu com maestria algumas situações que vivemos hoje.

Uma leitura que recomendo muito para todos que estão dispostos a deixar o nojo, o orgulho e pequenas ideologias infundadas construídas ao longo do tempo. Vale a pena apostar nesta leitura em um momento de maior maturidade também.




2 comentários:

  1. Oi Amanda!!
    Depois de tantas pessoas me indicarem esse livro resolvi contar.
    Não sabia muita coisa da história,só sabia mesmo que se trata de uma distopia clássica,mas sua resenha me deixou curioso com os temas que são abordados no livro e temas que gosto bastante de discutir.Em breve faço a leitura dele :)
    Beijos!!

    http://livreirocultural.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Cláudio
      Fico muito feliz que você tenha gostado da resenha e que queira ler o livro. Essa é uma obra de escrita bem densa e árida, mas que vale muito a leitura.
      Espero que você goste! :)

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